Joaquim Casimiro Lages


Era um tenente que, em 1835, construiu o edifício que viria a dar origem ao atual Mercado Velho de Diamantina.
Inicialmente, a construção servia como a sua própria residência e local de comércio.
Devido às necessidades do seu negócio e ao seu “espírito caritativo”, Lages construiu um rancho de tropeiros anexo ao prédio para abrigar os viajantes e as suas mercadorias. Esta estrutura tornou-se conhecida na época como a Intendência do Lages.
Mantinha correspondência e transações intensas com Francisco José Veloso Soares (de Araçuaí) e Antônio José de Queirós (de Passa Tempo).

A sua “intendência” era um dos três alpendres públicos ou ranchos existentes em Diamantina durante o período imperial para onde os tropeiros levavam mercadorias. Negociava farinha de mandioca, milho, goma, azeite, sabão, algodão, sal, bacalhau, arroz, feijão, café e objetos como “pêndulas” (relógios de parede). Utilizava mão de obra escravizada em seus negócios, como o escravo Gervásio, que era responsável pela condução de tropas e entregas.

Após a sua morte, a Intendência do “finado Joaquim Casimiro Lages” foi adquirida pela Câmara Municipal de Diamantina (entre 1890 e 1892) para ser transformada no oficial Mercado Público Municipal.
Com base nos documentos fornecidos, as informações sobre a vida do Tenente Joaquim Casimiro Lages estão estritamente corretas e fundamentadas nas fontes históricas citadas.

Ele nasceu por volta de 1810 em Conceição do Mato Dentro. Era filho de dona Ana Maria da Assunção e do capitão Francisco Rodrigues Lages. Era irmão de compromisso das irmandades do Santíssimo Sacramento, Ordem Terceira do Carmo, Ordem Terceira de São Francisco, Nossa Senhora do Amparo, Nossa Senhora do Rosário e da Casa de Caridade de Diamantina.
Declarava-se solteiro mas assumiu duas filhas, Maria Casemira da Silva Lages (casada com Félix da Silva Pereira) e Regina Maria Lages, ambas filhas de “Maria de tal”.
Foi padrinho do major José Leite Teixeira. A relação de confiança com a família Leite Teixeira era tão estreita que ele forneceu suas correspondências comerciais para serem usadas como material de caligrafia na escola de Chiquinha Leite.

Vendeu sua casa e rancho para Vicente Afonso por 9:000$000 (nove contos de réis), valor a ser pago em prestações para suas herdeiras.
Seu testamento data de 16 de maio de 1889. O patrimônio apurado no testamento somava 11:320$000 (onze contos, trezentos e vinte mil réis).
Destinou valores para suas filhas, netas, sobrinhas, afilhadas, a Casa de Caridade e para dez órfãs necessitadas.
Lages é descrito como o protetor incondicional de Chiquinha Leite e do seu irmão, o Major José Leite Teixeira, desde muito cedo. Ele atuava como um benfeitor para a família, exercendo uma influência de “poder e proteção” sobre os seus protegidos. O tenente era padrinho do irmão de Chiquinha, o Major José Leite. Na sociedade da época, os pais de Chiquinha e José tornaram-se “compadre e comadre” de Lages, o que vinculava socialmente as famílias através de laços de amizade e solidariedade. Lages era um homem significativamente mais velho que Chiquinha e o seu irmão, sendo tratado como uma figura de autoridade e respeito (um “homem de negócio” e “grande negociante”) dentro da rede de sociabilidade deles.

Fontes:

BRISKIEVICZ, Danilo Arnaldo. As cartas reutilizadas pela mestra Chiquinha Leite em Três Barras/MG como fonte para o estudo do tropeirismo. Revista Educação Pública, v. 25, nº 4, 29 de janeiro de 2025.
CAMPOS, Leandro Augusto Ferreira. A Caixa Vazia: Preservação e História no Mercado Municipal de Diamantina. Dissertação de Mestrado, UFBA, 2009.

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Vitória Azevedo da Fonseca

Historiadora e professora na UFVJM, Vitória é movida pelo desafio de transpor os muros da universidade, unindo o rigor da pesquisa à inovação e à criatividade. Como idealizadora do projeto Histórias em Redes, ela transforma o espaço urbano em um território de aprendizagem viva, democratizando narrativas e conectando o saber acadêmico ao cotidiano das ruas.