Matriarca de uma das famÃlias mais influentes da elite de Diamantina entre os séculos XVIII e XIX. Sua trajetória é marcada pela transição de uma jovem órfã em busca de abrigo religioso para uma das maiores administradoras de bens do Arraial do Tejuco.
Filha de Catarina Perpétua da Fonseca, casou-se com o Doutor Luiz José de Figueiredo, médico formado pela Universidade de Coimbra em 1754. Teve entre seis e sete filhos. Entre os filhos citados estão Luiz José de Figueiredo (homônimo do pai), Anna Perpétua Lodovina de Figueiredo e Luiza.
Ficou viúva em 1793. Antes mesmo da morte do marido, já aparecia como chefe de seu domicÃlio em 1775, devido à s frequentes ausências de Luiz José. Demonstrou rigor na condução familiar ao deserdar a filha Luiza por ter se casado sem o seu consentimento.
Como tutora, testamenteira e inventariante do espólio do marido, geriu um patrimônio diversificado que incluÃa:
Imóveis Urbanos, com aproximadamente 13 casas de aluguel no Arraial do Tejuco;
Mineração, com terras de minerar e escravizados alugados para a Real Extração de Diamantes.
Em Agronegócio e LogÃstica, tinha fazendas com produção de alimentos, criação de gado e posse de tropas de mulas para transporte.
Em 1832, aos 90 anos, possuÃa 28 escravos em seu domicÃlio. Sua principal residência foi no Arraial do Tejuco (atual Diamantina/MG.
Alguns locais significativos:
Rua do Macau (ou Rua do Macau do Meio): Endereço de sua residência oficial, uma casa de sobrado com janelas de vidraça.
Fazenda São Miguel: Localizada no Córrego dos Mulatos, parte de suas possessões de terra.
SÃtio das Bicas (ou Chácara no lugar denominado Bicas): Propriedade agrÃcola da famÃlia com casas assobradadas, senzalas e plantações.
Portugal (Coimbra/Lisboa): Destino pretendido em 1769 para ingressar em um convento e local de formação acadêmica de seu marido e filhos. Largo da Intendência: Região próxima às suas propriedades urbanas no Tejuco.
Versão Modernizada da Carta (1798)
Tejuco, 20 de outubro de 1798
Ao IlustrÃssimo Senhor João Rodrigues de Macedo
Prezado Senhor,Venho por meio desta informar a Vossa Mercê sobre a conduta do cobrador que tem atuado nas questões ligadas ao espólio de meu falecido marido, o Doutor Luiz José de Figueiredo.
Como é de seu conhecimento, meu falecido marido deixou obrigações a pagar, mas ele sempre conduziu seus negócios com honra e dedicação.
Tenho sido incomodada excessivamente pela forma como a cobrança está sendo realizada por Francisco Ignácio Ribeiro. Estão sendo criadas situações de dÃvida a partir de motivos insignificantes, o que ameaça desfazer o patrimônio que restou para o sustento de minha casa.Peço que, em nome da amizade que Vossa Mercê teve com meu falecido marido, interceda em meu favor e de meus filhos. Meu desejo é apenas que os pagamentos e as contas sejam satisfeitos de forma justa e digna, conforme as tratativas que Vossa Mercê já conhece desde quando esteve aqui no Tejuco.
Na esperança de contar com sua boa vontade e proteção para com esta famÃlia, despeço-me com estima.
De Vossa Mercê, muito amiga e veneradora,Dona Anna Perpétua Marcelina da Fonseca
Referências Bibliográficas
BRANT DA SILVA, Mateus. Transmissão e Posse de Terras: A famÃlia Figueiredo e o sentido da Terra na Freguesia de Diamantina (1832-1874). In: XXIII Encontro Regional de História da ANPUH-MG. Diamantina: 2022.
FONSECA, Anna Perpétua Marcelina da. Carta a João Rodrigues de Macedo protestando pela forma como Francisco Ignácio Ribeiro cobrou uma dÃvida, entre outros assuntos. Tejuco, 20/10/1798. 3 p. Original. Manuscrito. Coleção Casa dos Contos. Documento 32
PRAXEDES, Vanda Lucia. De submissas a donas e mandonas: histórias e trajetórias de mulheres viúvas nas duas margens do Atlântico (1750-1880)



